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Maçãs de Iðunn que permitiam aos Deuses Nórdicos viver até o Ragnarök. J. Penrose, 1890.

A Mitologia Nórdica fascinou Tolkien durante toda a sua vida, e talvez tenha sido a principal inspiração para a criação de toda a Terra-Média.

Tolkien certa vez escrever para um amigo sobre o seu interesse sobre a mitologia, principalmente “na invenção mitológica, e no mistério da criação literária”. Em outro trecho da mesma carta ele comentou que “[a Inglaterra] não tem histórias próprias, não da qualidade que eu procuro, e encontro em lendas de outras terras”.

Muitos consideram com isso que Tolkien pretendia com seu trabalho sobre a Terra-Média criar uma mitologia para a Inglaterra, o que a julgar pela importância de seu trabalho, foi bem sucedido.

Tolkien se interessou muito mais pelos mitos nórdicos, as sagas da islândia, os ciclos finlandeses e a mitologia galesa, do que pelos mitos clássicos gregos e romanos. O primeiro contato que ele teve com este material foi ainda na escola King Edward’s entre 1910 e 1914, e ele sempre acreditou que as histórias eram importantes por si mesmas e não apenas como uma curiosidade acadêmica ou como fonte de significados obscuros.

Beowulf, o matador de dragões da escandinávia.

Tolkien mostrou claramente esse ponto de vista no seu brilhante ensaio “Beowulf: Os Monstros e a Crítica”. Nesse trabalho ele repreende os críticos do antigo poema épico Beowulf por terem perdido completamente o ponto ao reduzir os “elementos fantásticos” apenas a um relato histórico que retratava a sociedade Anglo-saxã, ignorando elementos importantes da narrativa. Ele mostrou que esse “elementos fantásticos” eram intrínsicos à história e que não poderiam ser ignorados, pois eram remanescentes de um passado, pedaços de crenças e uma cultura que eram essenciais para a história. Tolkien assim escreveu no ensaio “Beowulf: Os Monstros e a Crítica”:

“A dragon is no idle fancy. Whatever may be his origins, in fact or invention, the dragon in legend is a potent creation of men’s imagination, richer in significance than his barrow is in gold.” (Um dragão não é uma fantasia ociosa. Quaisquer que sejam suas origens, de fato ou invenção, o dragão da lenda é uma poderosa criação da imaginação de homens, a mais rica em significado do que o tesouro é rico em ouro.)

The Elder Edda

Assim, com essa paixão pelos mitos nórdicos, Tolkien trouxe esse conhecimento ao seu trabalho de ficção. Isso é mais evidente no O Hobbit, onde muitos dos nomes e eventos encontram formas equivalentes nessa mitologia, especialmente no mito cíclico escandinavo conhecido como The Elder Edda.

De fato, e para nossa surpresa, o nome de vários anões e até mesmo o nome do próprio Gandalf, aparece em uma parte ou outra do The Elder Edda!

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J.R.R. Tolkien, o Autor do Século - Tom Shippey

Muitos outros eventos de O Hobbit também estão profundamente enraizados na mitologia nórdica. Um famoso estudioso da obra de Tolkien, Tom Shippey, nota alguns desses paralelos em J.R.R. Tolkien: Autor do Século:

“[Tolkien] took fragments of ancient literature, expanded on their intensely suggestive hints of further meaning, and made them into coherent and consistent literature…” (AOTC pg. 35). ([Tolkien] tomou  fragmentos de literatura antiga, as expandiu em intensidade e significado e o fez em literatura consistente e coerente)

Mas o estudo da linguagem (filologia) desenvolvido por Tolkien também teve grande impacto na sua obra de ficção, e pode-se dizer que a mitologia e a filologia andaram sempre lado a lado.

Muito da mitologia que ele pesquisou na época até hoje não possui tradução para o inglês ou outra língua, e foi a dedicação e o profundo conhecimento que Tolkien tinha de idiomas antigos que permitiram tal feito, inclusive permitindo que ele desenvolvesse ainda mais seu conhecimento em filologia, do ponto de vista da evolução da linguagem.

Podemos concluir que tanto a filologia quanto a mitologia nórdica foram as grandes influências na obra de Tolkien. Foram a fonte onde ele estraiu esse universo maravilhoso e fantástico repleto de elfos, anões, orcs, trolls, magos e até mesmo hobbits.

Fonte: Tolkien Online e Wikipédia

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